A maternidade é, para todas, uma jornada repleta de aprendizados e desafios. No entanto, para mais de 11 milhões de mulheres brasileiras que enfrentam a realidade de criar seus filhos sozinhas, essa vivência pode ser ainda mais complexa.
Ser mãe é uma experiência multifatorial, que envolve aspectos sociais, psicológicos e culturais. Quando uma mulher vivencia esse processo de forma solitária, sentimentos de não pertencimento e de culpa materna podem vir à tona de forma intensa. Além disso, com um peso tão grande sendo carregado, essas mães sofrem com impactos nas saúdes física e mental, dificuldades no mercado de trabalho e até mesmo consequências negativas na dinâmica familiar.
Um filho, para uma mulher, é completamente diferente que para um homem, que pode fazer a escolha de simplesmente não assumir a responsabilidade.
Aline Zavatti
A história de Aline é apenas uma em meio a de tantas outras mulheres que compõem a estatística de mães solo – e que vamos conhecer nos próximos capítulos dessa reportagem: uma gravidez não planejada, um parceiro que se isenta de suas responsabilidades como pai quando a criança nasce e, consequentemente, a sua não participação na criação do novo ser que chega.
Apenas em 2022, no Brasil, mais de 160 mil recém-nascidos foram registrados sem o nome do pai. Esse número representa aproximadamente 6,6% do total de nascimentos no período.
De acordo com Maíra Liguori, diretora de Impacto na ONG Think Olga, os dados podem ser explicados principalmente por fatores socioculturais, como o machismo e os estereótipos de gênero.
Criam as meninas para acreditarem que a responsabilidade delas é crescer, formar e cuidar de uma família. Depois, voltam como se isso fosse um dom natural. Na verdade, é algo difundido pela sociedade desde a primeira infância até o final da vida das mulheres.
Maíra Liguori
Para entender a realidade da maternidade solo no país, alguns recortes importantes precisam ser mencionados. Os infográficos abaixo reúnem dados que permitem uma melhor compreensão sobre quem são as mães solo brasileiras:
Os números apontam para um padrão: a maioria dessas mães também faz parte de outros grupos minorizados, o que dificulta ainda mais a luta de cuidar sozinha de uma família.
Nos capítulos a seguir, a reportagem multimídia Mães Solo Brasil busca entender os desafios e as recompensas da trajetória dessas mulheres, a partir de diferentes perspectivas e recortes. Afinal, é cada vez mais urgente ampliar a conscientização sobre as dificuldades enfrentadas pelas mães solo, desconstruir estereótipos e preconceitos e promover a compreensão sobre o papel social em apoiá-las.